RONALDO TIRADENTES E A LUTA CONTRA O CONSTRANGIMENTO SOCIAL

03/03/2013 14:19

 

Outro dia uma professora municipal, deixou um recado ostensivo na página do Facebook de Ronaldo Tiradentes. Com alguns erros de português e muito desconhecimento sobre autismo, a professora assim o advertiu:

“Ronaldo Tiradentes,gostaria que vc prestasse mais atencao quando fosse estaciionar seu carro na escola do seu filhote,,pois vc ESTACIONOU na vaga de deficiente FISICO,,.deficiente e aquele que tem L I M I T C O E S F I S I C A S…….KUALKER SINDROME OU DISTURBIO DE PERSONALIDADE NAO E DEFICIENTE.TUDO BEM???!!! VC DEVE DAR O EXEMPLO….COMO EU TAMBEM…..E TODOS OS SERES QUE SE DIZEM HUMANOS ..VALEU!!!!OBRIGADA PELA ATENCAO”

Ao abrir a página no Facebook e ler o recado atrevido, seu sangue ferveu. O recado poderia ter sido deixado in box (internamente), mas a professora queria mesmo era aparecer, exibir “cultura e conhecimento”. De sopetão, Ronaldo mandou uma resposta dura:

“você é muito audaciosa de vir aqui em minha página pessoal para querer me dar lição de moral. Quem é você ?? Quem você acha que é para querer vir aqui de forma desrespeitosa querer me ofender ??? Eu não vou dar satisfação a você porque parei em vaga de deficiente. Procure a direção da escola e questione as razões pelas quais eu parei em vaga especial Sugiro também que procure o Manaustrans e pergunte porque foi concedido ao meu filho autista o direito de ter o carro que lhe conduz parado em vaga especial. Aliás, como professora, que imagino que és, lamento que você não tenha estudado o suficiente para entender as limitações de uma criança autista. Como sei que você é deficiente intelectual, em breve darei a você licões para que aprendas a respeitar os direitos de uma criança com deficiência e os constrangimentos corriqueiros a que são submetidos os familiares. Vá estudar, analfabeta!!!!!!!!!!!

Hoje, com a cabeça fria, o jornalista reconheceu que exagerou na resposta. Dias antes, tinha passado com a sua família, um constrangimento no Aeroporto do Galeão, também relatado aqui e sem nenhuma resposta da TAM. O Fale com o Presidente, disponível no site da empresa aérea, é só agá (mentira), puro marketing.

Ano passado, Ronaldo estava dentro de um taxi em Paris com meu filho autista. Sem mais nem menos, o motorista que tinha um nariz enorme e cara de árabe, passou a dar ataques de histerismo pelo fato do seu filho ter encostado o joelho por trás do assento dele. “Nunca vi tanta grosseria com uma criança que sequer sabia o que estava acontecendo. Tive que ser enérgico para repelir a falta de educação do motorista de táxi” conta. Nesse mesmo dia, outro francês empurrou o seu filho pelo simples fato dele ter espichado o pescoço para ver o joguinho que o homem manipulava no celular. Ele relata que chegou a encontrar sua esposa Kiê chorando numa pracinha de Paris. “Essas situações que humilham familiares de crianças especiais, são corriqueiras. Temos que ter paciência de Jó para evitarmos permanentes atritos no meio da rua” explicou Ronaldo.

Voltando ao caso da professora da SEMED que um recado no Facebook, o jornalista prometeu que daria esclarecimentos sobre as razões pela qual o levam a estacionar, em raríssimas ocasiões, em vagas destinadas a pessoas com portadoras de deficiência. “É verdade que meu filho autista não tem dificuldade de locomoção. Ele anda e corre muito bem. Por outro lado, não é verdade que meu filho autista tenha desvio de personalidade com afirmou a professora desinformada. Autismo, nem de longe é um desvio de personalidade. Autismo é um transtorno do desenvolvimento que dificulta a interação social da criança, atrasos na linguagem etc. Uma das principais características do autismo é a hiperatividade, o que deixa a criança muito agitada, impaciente. Na maioria dos casos, são necessários remédios para deixar a criança mais calma. Meu filho toma Risperdal todas as noites. Esta é uma tarefa minha. Dou a ele, meio comprimido para que ele desacelere e durma tranqüilo” disse.

Segundo os especialistas, essa hiperatividade passa quando o autista chega na adolescência.

Outra característica do autista é não ter noção de perigo. Se Ronaldo deixar, seu filho atravessa a Avenida Djalma Batista sem olhar para os lados. Não tem idéia do que seja um atropelamento. “Já aconteceu comigo, em várias situações, de ao estacionar o carro na porta da escola para deixá-lo, ele abrir a porta e sair correndo para a lanchonete, um ritual que os autistas também desenvolvem e tem que cumprir rigorosamente. Ocorre que ao sair do carro correndo, ele não observava que o correto e seguro era sair pela frente do carro, pela calçada” relatou.

Algumas vezes Ronaldo era surpreendido, enquanto desligava o carro, seu filho corria por trás, se expondo ao perigo da rua. “Certa ocasião, véspera do Dia das Mães, fomos jantar em família num restaurante de Manaus. Ao chegarmos, tão logo estacionei e antes mesmo que eu desligasse o carro, o Ruyzinho abriu a porta e saiu correndo por trás. Minha mulher Kiê, se desesperou e saiu correndo também atrás dele vindo cair no asfalto e ferindo os dois joelhos. Eu que sempre resistia em estacionar em vagas especiais, a partir desse dia, decidi que, em situações de perigo, não abriria mão desse direito do meu filho”relembrou.

Kiê com os joelhos feridos depois de cair correndo atrás do Ruyzinho no estacionamento do restaurante

Decisão tomada, sua mulher se dirigiu ao órgão de trânsito – o Manaustrans, levando todos os laudos do seu filho que comprovam sua deficiência e sua condição de autista, habilitando-o a ter legalmente o direito de estacionar em vaga especial.

Cartão do Conatran que concede ao Ruyzinho o direito de ter o carro que o transporta estacionado em vaga especial.

“Insisto, vaga especial em estacionamento não é apenas para aqueles que tem  dificuldade de locomoção, como afirmou a ilustre professora da SEMED. É para aqueles que tem alguma deficiência ou limitação que o torne diferente das pessoas ditas “normais”, disse Ronaldo.

O autismo foi reconhecido no Brasil, por lei federal, como uma das deficiências humanas. “Estacionar meu carro em vaga especial é algo que não me dá nenhum prazer. Ao contrário, me deixa profundamente triste. Só faço uso desse “benefício” na porta da escola do meu filho, pela proximidade da vaga com o portão, para evitar que ele saia correndo se expondo ao perigo da rua. Nunca estacionei em vaga especial de shopping, nem pretendo. Quando viajamos em família, sequer levamos conosco o cartão do CONATRAN que tem validade em todo território nacional. E mais, quando viajo de avião com o Ruyzinho, prefiro embarcar junto com as prioridades (idosos, gestantes e portadores de deficiência), pelas mesmas razões acima expostas. O autista fica impaciente nesses ambientes com muitas pessoas. Ficar numa fila em pé, o deixa muito agitado e, nessa agitação, ele fica esbarrando nas pessoas ao lado. Quem não conhece o autista, acaba se irritando achando que se trata de uma pessoa mal educada”, explicou Ronaldo.

O episódio ocorrido no Rio de Janeiro recentemente, fez Ronaldo tomar uma decisão. “Na hora de fazer o check-in, vou apresentar a documentação do Ruyzinho no balcão e exigir tudo que a lei e as resoluções da Anac preveem para as pessoas portadoras de necessidades especiais. Não vou mais correr o risco de ser humilhado e quem sabe preso, por pessoas estúpidas que não conhecem leis nem o direito de pessoas especiais” finalizou Ronaldo.

Hiperatividade e acidente doméstico: ontem ao subir correndo uma escada em casa, Ruyzinho caiu. Levou dois pontos na boca em plena noite de sábado.

 

Todo tipo de discriminação e preconceito é vedado pela legislação brasileira. A Constituição Federal, no seu art. 5º, dispõe que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, no seu art. 1º, dispõe que todos os seres humanos nascem iguais em dignidade e direitos. O art. 2º ainda assevera que todos os seres humanos estão aptos a exercer os seus direitos sem distinção de nenhum tipo ou gênero, seja por raça, cor, sexo, língua, orientação política etc.

A Constituição Federal, no 47.seu art. 5º, incisos XLI e XLII, dispõe que a lei punirá qualquer discriminação atentatória aos direitos e liberdades fundamentais e que sua prática constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão. 

 

FONTE: BLOG DO RONALDO TIRADENTES

 

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