QUADRILHAS COMPRAM EXPLOSIVOS COM FACILIDADE NO BRASIL E PARAGUAI

18/02/2013 12:42

 

Durante um mês, o Fantástico seguiu os passos das quadrilhas que compram dinamite para explodir caixas eletrônicos. A cena é impressionante, e ocorre em quase todo o Brasil. Para entrar na agência bancária que está fechada, bandidos usam um machado ou um pé de cabra. Qualquer pessoa que esteja por perto pode virar refém, até mesmo policiais. Dentro da agência, os criminosos golpeiam os caixas eletrônicos. O que eles querem é abrir espaço pra colocar dinamite dentro das máquinas. As explosões destroem não só os caixas, mas a agência toda. Colocam em risco prédios vizinhos e aterrorizam cidades inteiras.

Quase sempre são municípios onde os poucos policiais não têm equipamentos para enfrentar as quadrilhas fortemente armadas, como conta um PM que não quer ser identificado: “Estava sozinho com uma pistola somente, e eles estavam em torno de oito armados com fuzil de grosso calibre”.

Os bandidos também atacam os cofres de pedágios, empresas e até prefeituras. A guerra começa com o comércio clandestino e o roubo de explosivos.

 “Eu estava na sala de espera, sentado, sozinho, de repente chegou um cidadão com um fuzil. Surgiu do nada. Surgiu um, surgiu outro e foi surgindo. Foram os quatro ou cinco elementos que entraram e chegaram me espancando. Foi muito chute e coronhada de arma longa. Fui obrigado a mostrar onde estavam as armas, o colete que a gente tinha. Todos os material bélico que a gente tinha levaram”, conta.

Durante as investigações, escutas feitas pela polícia de Santa Catarina e autorizadas pela Justiça mostram Dênis relatando a quantidade de dinamite usada na explosão da agência na cidade de Sombrio, interior do estado: “Devem ter usado dois e meio. Prejudicou um pouquinho só dentro, um pouquinho. Abriu daquele jeito”.

Os bandidos não sabem calcular a quantidade de explosivos. Por isso, muitas vezes acabam destruindo a agência toda.

No Paraguai, o repórter Giovani Grizotti negociou com um vendedor clandestino em Ciudad del Este. O vendedor explica que a quantidade depende do tipo de assalto:

- Tem umas que já vêm preparadas para estourar uma casa ou ônibus. Tem umas que já vêm preparadas para caixa eletrônico. R$ 500 reais com o pavio.

Na mesma cidade paraguaia, outro vendedor diz que consegue dinamite porque o irmão trabalha em uma pedreira, conhecida como ‘cantera’:

- Quanto sai?
- Esse está caro, meu irmão: US$ 150 dólares cada uma.
- Cada banana?
- Sim. Você não vai conseguir em qualquer lugar. Eu tenho meu irmão que trabalha na ‘cantera’.

No Brasil, os bandidos também buscam explosivos em pedreiras, garimpos e obras. Em uma região mineradora no interior da Paraíba, um garimpeiro oferece uma grande quantidade de explosivos.

- Aquela quantidade que o senhor tem lá é 25 quilos?
- 25 quilos.
- Esses 25, o senhor faz por quanto?
- R$ 260
- E o senhor acha que isso dá para cem explosões?
- Nessa faixa.

Pela lei, cabe ao Exército fiscalizar a fabricação, o comércio e o uso de explosivos. No ano passado, segundo o Exército, pouco mais da metade das 1.070 empresas que têm autorização para usar explosivos foi fiscalizada.

Minas Gerais teve 19 assaltos este ano, e 148 no ano passado. Para o governo do estado, o combate a esse crime exige mais investimentos. “O que resolve é basicamente uma melhor proteção desses aparelhos, desses caixas eletrônicos, e por outro uma investigação cada vez mais eficaz para conter esses grupos criminosos”, afirma Ferraz.

Em nota, enviada ao Fantástico, a Polícia Federal diz que tem intensificado a atuação contra os assaltantes de bancos que utilizam explosivos.

 

FONTE: G1

 

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